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domingo, 24 de maio de 2009

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Em atuação conjunta, MPF e PF desarticulam quadrilha

Porto Velho (RO) – Uma organização criminosa foi desbaratada hoje em Rondônia, São Paulo e Pernambuco. De acordo com investigações policiais, a quadrilha é responsável pela introdução irregular de um grande número de chineses em território nacional. A pedido do Ministério Público Federal em Rondônia (MPF/RO) e da Polícia Federal (PF), a Justiça Federal determinou o cumprimento de 14 mandados de prisão preventiva, sendo dez em Porto Velho (RO); dois em Guajará-Mirim (RO), cidade localizada na fronteira com a Bolívia; e dois em São Paulo (SP). Outros dois mandados de prisão são contra pessoas que moram no exterior. A Polícia Federal também cumpriu 24 mandados de busca e apreensão, sendo sete em Porto Velho (RO), dois em Guajará-Mirim (RO), 13 em São Paulo (SP) e dois em Recife (PE).

O MPF denunciará os suspeitos por trabalho escravo, falsidade ideológica, uso de documento falso, contrabando ou descaminho, aliciamento de trabalhadores e formação de quadrilha, além de introdução de estrangeiro clandestinos em território nacional. Estes crimes têm penalidades que variam de um a oito anos, cada. O procurador da República Heitor Alves Soares informou que “a atuação conjunta do MPF e da PF foi fundamental para o sucesso da operação”.

As investigações da Operação Da Shan tiveram início em setembro do ano passado, após várias prisões em flagrante de chineses entraram no país vindos da Bolívia e foram presos em Porto Velho, Ji-Paraná e Vilhena, em Rondônia. A partir de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, descobriu-se uma organização criminosa transnacional. Durante as investigações, alguns chineses foram presos em flagrante quando tentavam embarcar no aeroporto de Porto Velho (RO) com documentos falsos e outros na BR-364, na capital rondoniense, junto com “coiotes”, pessoas que facilitavam a entrada ilegal.

Na época, os documentos aprendidos com os chineses deram a rota do transporte clandestino: ele partiam de Fuzhou, capital de Fujian, na China, rumo a Pudong, distrito de Shangai, passavam por Amsterdã, na Holanda, depois entravam no continente americano por Guayaquil, no Equador, indo em seguida para as cidades de Lima, Arequipa e Puno, no Peru. Ao chegar às margens do lago Titicaca, os chineses entravam na Bolívia e em seguida no Brasil, por Guajará-Mirim (RO). Todos os chineses flagrados irregularmente no país tinham como destino a cidade de São Paulo (SP).

Um grupo de “coiotes” que agia em Rondônia foi identificado e apurou-se que alguns deles agiam a mando de uma paraguaia chamada Hilda Beatriz Goiri, com atuação na Bolívia e Paraguai, principalmente. Antes da Operação Da Shan, Hilda já havia sido presa em flagrante no começo deste ano, quando entrou no Brasil pela fronteira de Foz do Iguaçu (PR), transportando chineses ilegalmente.
O chinês Zhu Ming Wen, conhecido como Toni, foi identificado pela Polícia Federal como o líder da quadrilha. Ele mora em São Paulo (SP) e tem visto permanente no Brasil. Há suspeitas de que ele também atue na área do contrabando, com o transporte de mercadorias, via aérea, de São Paulo para Recife (PE).
A hierarquia da quadrilha era em quatro níveis: na base estavam os “coiotes”, que transportavam os chineses de Rondônia a São Paulo; no segundo nível existiam os gerentes dos “coiotes”, que comandavam os primeiros e eram os intermediários; no terceiro nível ficavam os articuladores internacionais, com a paraguaia Hilda; no topo estava o chinês Zhu Ming Wen, que controlava a chegada dos estrangeiros na cidade de São Paulo.

Nome da Operação
De acordo com as investigações, muitos dos chineses introduzidos irregularmente no Brasil são da região de Fujian, na China, conhecida como Da Shan (Grande Montanha), que abriga algumas das maiores e mais lucrativas fábricas de produtos falsificados do mundo. Essas instalações, construídas no interior da montanha, produzem milhões de cigarros por dia, que são comercializados no imenso mercado doméstico chinês ou levados em contêineres, pela Ásia, para os Estados Unidos e regiões mais distantes.

Fonte: MPF/RO (www.prro.mpf.gov.br)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

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César Herman é preso após declarar-se inocente em entrevista à Rolling Stone Brasil

Em entrevista concedida à edição de novembro da Rolling Stone Brasil (www.rollingstone.com.br), o ex-agente da Polícia Federal César Herman Rodriguez, um dos supostos envolvidos na Operação Anaconda, afirma que vai provar sua inocência. Mas apenas alguns dias após a chegada da Rolling Stone às bancas, em 13 de novembro, Herman foi preso pela corregedoria da Polícia Federal. O Ministério Público Federal nega que o pedido tenha sido uma retaliação às declarações feitas à revista.

Após um ano de investigação da Polícia Federal, em outubro de 2003, a Operação Anaconda veio à tona. O dossiê preparado na época foi embasado em escutas telefônicas que identificaram negociações de sentenças entre autoridades do sistema judiciário e criminosos. Herman é acusado de ter participado do esquema ilegal e foi acusado pelo Ministério Público por 38 diferentes crimes, entre eles, formação de quadrilha, falsidade ideológica e contrabando. “Fui o homem mais perigoso do Brasil no primeiro mandato do Lula. E o que sobrou disso? Minha luta é provar que nada disso sobrou, que fui um perseguido político”, afirma Herman à Rolling Stone.

Ele já esteve encarcerado por um ano e 10 meses numa prisão em Goiânia - a qual definiu como masmorra e, através de denúncia, conseguiu fechar as portas do local. O ex-agente foi solto em 2005 após a aceitação de pedido de habeas corpus escrito por ele mesmo.

Para Herman, a Operação Anaconda não tem outro cunho senão político e faz desafios à imprensa e à justiça brasileira: “Me mostre uma única sentença! Se você não me mostrar continuo te dizendo: a operação Anaconda foi política, e que por isso fui eleito naquela época o homem mais perigoso do Brasil”, diz Herman na entrevista à Rolling Stone.

Com o fim dos dias de masmorra, Herman havia retornado a seu luxuoso escritório de advocacia paulistano, em plena avenida Paulista, de onde concedeu a entrevista à Rolling Stone. Nessa ocasião, falou sobre sua família, como se tornou um policial federal, inclusive a origem de seu dinheiro, que, aliás, credita primordialmente à sua atuação como advogado.

Sobre a Rolling Stone
Fundada em 1967 por Jann Wenner (editor até hoje) e Ralph J. Gleason, a Rolling Stone nasceu no fervor da contracultura hippie dos anos 60. Numa época em que as revistas em circulação desprezavam a cena musical, foi o primeiro veículo a tratar o assunto seriamente. Logo se tornou conhecida por permitir a livre expressão tanto do artista quanto de seus jornalistas, fazendo história com artigos pungentes sobre sexo, drogas, comportamento e política sem rabo preso. No Brasil, a publicação retorna pelas mãos da Spring Comunicações.

Sobre a Spring Publicações
O Grupo Spring, formado pela Spring Editora-Produtora Ltda. e pela Spring Publicações Ltda, sob direção de José Roberto Maluf, é responsável pela versão nacional da Rolling Stone, conhecida internacionalmente, além das revistas Aero Magazine, Cavallino, VoeTRIP, Docol e Rossi, criando e produzindo conteúdo para mídias impressas, audiovisuais e digitais e desenvolvendo o conteúdo e as ações de marketing personalizados e segmentados para públicos diversos.


Aline Vessoni: aline@linhaselaudas.com.br
Roling Stone Brasil